Repor Senha

Slide BELAS VISTAS DE MONTALEGRE Alojamento com Tradição Clique para ver o nosso vídeo institucional BELAS VISTAS DE MONTALEGRE Alojamento com Tradição BELAS VISTAS DE MONTALEGRE Alojamento com Tradição BELAS VISTAS DE MONTALEGRE Alojamento com Tradição BELAS VISTAS DE MONTALEGRE Alojamento com Tradição
Pesquisa Avançada
Resultado da sua pesquisa

A Região

Agosto 9, 2016 por Jose Alves

Montalegre e o privilégio da Natureza

A diversidade geográfica, um conjunto de serras, vales, rios e albufeiras oferece-nos quatro subzonas ecológicas – Baixo e Alto Barroso Ocidental e Baixo e Alto Barroso Oriental – os rios Cávado, Rabagão, Tâmega e Beça, Cabril e muitos outros pequenos afluentes descem por entre os vales formando cascatas e marmitas de gigante, desaguando nas 5 albufeiras, criando espaços naturais paradisíacos.

Uma vegetação natural de rara beleza e aromas, com valor nutritivo e medicinal, bosques de carvalhos centenários, florestas de pinheiros, soutos, abundam no Barroso. Os recursos faunísticos são de importância para a biodiversidade; a existência de várias espécies autóctones, algumas das quais em vias de extinção, são recursos a explorar.

Montalegre é o concelho com maior área incluída no Parque Nacional da Peneda-Gerês: dos seus 72000 ha, 21000 pertencem a este concelho, representando cerca de 30% do mesmo.

Em forma de resumo,  podemos ordenar a riqueza natural :

  • Parque Nacional da Peneda-Gerês, com um terço da sua área neste concelho, possuindo valores naturais específicos na sua geologia, flora e fauna.
  • Rios e Albufeiras, do sistema Alto Cávado / Rabagão e Bessa, com inúmeras albufeiras (Sezelhe, Paradela, Salamonde, Pisões, Venda Nova) propícias à prática de desportos náuticos.
  • Pesca, com diversas e abundantes espécies piscícolas (Truta, Boga, Escalo).
  • Montanha, cinco serras dominam o vasto e grandioso horizonte do Barroso: serra do Gerês, Mourela, Larouco, Barroso ou Alturas e Cabreira.
  • Planalto, com importantes manchas florestais, predominantemente o carvalho e vegetação espontânea como a urze, a carqueja e o tojo.
  • Caça, com inúmeras espécies cinegéticas disponíveis (Lebre, Coelho, Perdiz, Javali).
  • Clima, Barroso é uma região de temperaturas extremas que descem no inverno frequentemente a alguns graus negativos para subirem no verão a mais de 30 graus positivos. A dureza do clima e os materiais locais determinam a arquitetura singular do Barroso.

Montalegre e a riqueza da sua cultura

A nível cultural podemos sublinhar a riqueza destes recursos em três grandes grupos, tais como:

Arquitetónico, abundantemente ilustrado pela arquitetura tradicional das casas das aldeias e vilas, e por inúmeros monumentos celtas, romanos, do início da nacionalidade e medievais, assim como pelas igrejas e mosteiros.

Etnográfico, pela riqueza dos usos e costumes do Barroso: o comunitarismo (a vezeira, o Boi do Povo, o forno comunitário, o moinho, a malhada), a chega de bois, a religião popular, a medicina tradicional, o entrudo com os encartados ou caretos, as cantigas ao desafio, o jogo do pau, a serrada da velha, o vocabulário, os ditos e provérbios.

Produtos autênticos (gado bovino barrosão, cavalo garrano do Gerês, mel de urze, presunto, enchidos – famoso fumeiro) e artesanato variado (pisão, burel, tecelagem, linho, croças de juncos, socos, couros ou cestos).

O Espaço Geográfico do Barroso

O Barroso é uma região montanhosa, que ocupa o planalto situado a Noroeste do distrito de Vila Real, na província de Trás-os-Montes. Compreende os actuais concelhos de Montalegre e Boticas e o antigo de Ruivães, extinto em 31 de Dezembro de 1853.

Nos documentos medievais portugueses é conhecido por “Terra de Barroso”, confronta de Norte com a província espanhola da Galiza, de Oeste com o concelho minhoto de Terras de Bouro, de Sul e Sudoeste com terras de Vieira do Minho e Cabeceiras; de Sudeste confina com o rio Tâmega, até alturas da Serra do Pinho, servindo-lhe o concelho de Chaves de limite oriental (Costa, 1968).

Estrategicamente isolado por relevos grandiosos, com uma altitude média de 1.000 m, a paisagem é salpicada de relevos abruptos e imponentes, albufeiras prateadas, pequenas aldeias graníticas, roxo de urze e verde carvalho.

O tempo decorre aqui com as estações e as luas, um tempo profundo ligado à terra.

As gentes, protagonistas de uma velha história, olham de cima por esses vales abaixo, por esse outro país, que não o Barrosão, e a amiga Galiza, a diáspora e o regresso do filho pródigo, sem pressa de, repente, surge a aldeia de granito cinzento e telhados vermelhos, hoje mais raramente amarelos de colmo, com os carros de bois a chiar, o fumo das lareiras, o bulício das gentes. “Entre quem está, dizem lá dentro”, na primeira casa em que batemos à porta (Costa, 1968).

O Concelho de Montalegre

O concelho de Montalegre é um dos maiores do país, sendo interessante referir que pertence à sua área administrativa a parte Norte do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Grande parte da população do concelho dedica-se à agricultura e à pastorícia, sendo esta uma fonte de riqueza importante.

O gado barrosão hoje certificado com denominação de origem é vendido como tal nos grandes mercados do Porto e de Braga sobretudo, tendo grande aceitação pela sua excelente qualidade.

Além da agricultura e da pastorícia, mais duas atividades económicas há ainda a considerar no concelho: a produção de energia elétrica e a extração de minério.

As aldeias tradicionais

O espírito criativo dos artífices inventou pequenas maravilhas de adaptação ao terreno e de grande harmonia funcional doméstica.

Assim, deparamos hoje com aldeias muito típicas, ruas estreitas, eiras e espigueiros, pátios interiores e passadiços, cortes do boi do povo e fornos comunitários, capelas de cruzeiros, em granito trabalhado, às vezes xisto, de rusticidade forte e ambiente singular.

Grande parte deste património encontra-se hoje abandonado pela emigração, embora constituindo de facto uma poupança dos residentes. A sua recuperação e valorização deverá contribuir para uma revitalização desta sociedade rural, pela mobilização de recursos económicos, intercâmbio de culturas e criação de novas actividades e serviços, apoiados pelas modernas tecnologias.

Representando um recurso endógeno cultural de inestimável valor, finito e a preservar, o património construído constitui uma atracão vital para os amantes da natureza e dos valores civilizacionais antigos.

Os pequenos tesouros como o Mosteiro de Pitões das Júnias, o Hospital dos Peregrinos de Vilar de Perdizes, o Castelo de Montalegre, a Ponte da Misarela, acentuam a beleza dos moinhos a água, dos lagares do azeite, dos palheiros e casas térreas que constituem a linha das aldeias barrosãs.

A paz interior resulta de um ambiente sereno, equilibrado e reconfortante, tornando a relação um prazer e o silêncio em meditação. Só perturbados pela violência da chega de bois, do galope a cavalo ou do mergulho no rio. A festa religiosa à Santa, o serão com histórias à lareira, a matança do porco, as segadas, as vindimas, a vessada, são todas ocasiões de grande festa e de sentir comum. Os contactos são fortes e diretos, as pessoas francas e hospitaleiras (Fontes, 1992)

Uma forte ligação à terra, à cultura e às pessoas, uma diversidade de atividades e interesses, uma natureza maravilhosa numa paisagem magnífica garantem um tempo de qualidade inestimável.

O povo barrosão é solidário, gregário e social. O comunitarismo agro-pastoril é um exemplo as «instituições» criadas para reger a vida em comunidade, apoiadas em fortes laços de solidariedade. A cultura barrosã tem nesta entreajuda entre vizinhos, desde os trabalhos no campo aos momentos bons e maus, a sua característica essencial. A vida social dos barrosões, mercê das condicionantes económicas e ambientais, cimentou estes laços, criando regras, respeitando costumes e tradições que não resistem às exigências e mentalidades modernas.

A tipicidade da Gastronomia

O Barroso é particularmente rico em gastronomia Os fumados que estão profundamente ligados à agricultura e à pecuária do concelho (a que vulgarmente se chama Fumeiro), o “cozido à moda de Barroso”, o chouriço azedo, confeccionado com abóbora ou nabo, as trutas do rio Cávado, ou Rabagão, têm fama e tradição na mesa barrosã. Há ainda a referir a vitela assada no espeto e o cabrito estufado, para além da caça e da doçaria típica e de um leque de vinhos da região cada vez mais emergente.

As suas gentes que à chegada dizem “Entre!” e só depois perguntam “quem é?”, são um povo acolhedor e que preza por ser comunitário. Cá estamos prontos para receber bem.